"Não tem nada em paz aqui dentro. Nada, nada. Um turbilhão de coisas se passa pela minha cabeça, me movimenta, me agita, me deixa sem sossego. E eu tento resistir, colocar um sorriso na cara e levantar todo dia, cumprir meu papel, fazer meu trabalho, ajudar quem precisa. Mas esqueço de mim. Preciso tanto de ajuda. Ser mais calma, ser mais clara, ser mais rara."
Clarissa Corrêa
Eterno romance

Eterno romance

Desde pequenas temos a tendência a eternizar romances. Esse comportamento é naturalmente feminino, afinal, eles são bem mais práticos do que nós. Não gostou? Cospe fora. Não quer? Termina. Acabou a paciência? Arruma as malas e sai de casa. Para eles é assim que a coisa funciona. Não que eu esteja dizendo eles-são-assim-e-nós-assado, mas conheço muitos homens e mulheres. Muitos mesmo. E sei bem que no quesito não-se-incomodar-por-nada-no-mundo eles são mestres. Se todas as mulheres tivessem a praticidade dos homens, bem, não seriam mulheres.

Talvez eu ande menos romântica e sonhadora. E não sei se isso é essencialmente bom e saudável para mim. Logo eu, um ser tão emocional. Tenho ouvido histórias de coisas desfeitas, o que me dá um aperto imenso na garganta. Como pode um amor não ser mais nada? Como pode uma pessoa abandonar aquela vida tão certa, tão direitinha, tão lar-doce-lar? Como? Simples, abandonando. Uma hora as pessoas se enchem umas das outras. Uma hora o amor pode virar as costas. Uma hora uma loura estonteante pode cruzar seu caminho. E te deixar com a cama vazia e o coração em frangalhos.

Tem gente que fala ah-mas-eles-estão-há-15-anos-juntos-uma-hora-desgasta. Não acho. Sabe por quê? O amor não precisa desgastar, a gente pode renovar sempre. É só não esquecer das pequenas coisas, dos bilhetes, da florzinha, do carinho, do cafuné antes de dormir, dos beijos. Os beijos não precisam ficar menos demorados, os abraços não precisam ficar menos apertados, o sexo não precisa ser mais mecânico. A gente não deve deixar o tempo interferir de forma negativa. O tempo, em um relacionamento, deve servir para unir, criar mais intimidade, cumplicidade, deve servir pra gente saber os gostos, os defeitos - e querer ficar pertinho, colado, ainda sentir saudade e vontade.

Tenho medo, confesso. Confesso e repito: tenho medo. Isso que chamam amor pra mim é um sentimento tão importante. Sei que pra alguns outras coisas importam mais, mas o amor pra mim tem importância extrema, fundamental. Sou mulher e nós somos assim. Olha lá eu de novo dizendo elas-são-assim-e-eles-assado. Mas não esqueça: conheço muitos homens e mulheres para fazer tal julgamento. E por falar em julgamento: alguém tem culpa pelo fim da relação? Não. A gente começa um relacionamento a fim de eternizar o romance. Ninguém quer o fim, não. A gente quer continuar junto. A vida, muitas vezes, prega surpresas, nos pega de jeito e diz chega-acabou-deu. E o amor termina.

Não quero que o meu amor acabe nunca. Mas não tenho (infelizmente) o dom de prever o amanhã. Sei que aprendi coisas lindas e inexplicáveis, sei que palavras não cabem aqui para descrever o tanto que amo, sei que se eu fosse contar pra você cada pedacinho da história você ficaria encantada. Só que se for pra acabar, acabou. Se for pra terminar vai terminar - eu querendo ou não. Gostando ou não. Amando ou não. Só espero que você nunca chegue pra mim e diga não-te-amo-mais. Essa frase deve doer muito pra quem ouve. Se for pra acabar, que seja com amizade, respeito e carinho. E que seja para o nosso bem.

Clarissa Corrêa


"Não sei o que fazer quando a pessoa vem até a mim; eu sou dessas que vão até a pessoa. Ser escolhido é perturbador. Tenho que pedir, tenho que escolher."

Clarice Lispector (Clariceando Lispector.:)

 
"Ao mesmo tempo, alguma coisa em mim não consegue desistir, mesmo depois de todos os fracassos. E tento, tento. […] Não desisto. Um dia, um dia, quem sabe? Pode ser que esteja no escrever a resposta de tudo o que persigo. Acreditar, só precisa acreditar um pouco mais em mim."
Caio Fernando Abreu
"Não sei se será possível à gente escolher as próprias verdades, elas mudam tanto. Não só por isso, nossas verdades quase nunca são iguais às dos outros, e é isso que gera o que chamamos de solidão, desencontro, incomunicabilidade."
Caio Fernando Abreu
"Não percebi a chegada do outono. Mas eu sentia que estava embarcando numa nova estação: todas as árvores que (não) plantei, de repente, estavam nuas. E eu caminhava num tapete de folhas e flores. Os caminhos também se estreitaram e tive uma sucessão de perdas, ou melhor, tive uma sucessão de trocas. E assim, como toda pessoa que tem um coração pulsando, fiquei assustada demais com as mudanças. Mas agora já consigo perceber beleza na nudez de cada uma das minhas árvores prediletas. Elas apenas estão trocando de roupa enquanto eu troco de pele, tamanha cumplicidade. Então, quando bate a ansiedade e meu coração taquicardíaco começa a doer, ponho a mão nele e digo a mim mesma: “Obrigada por, pelo menos, poder sentir que não estou sozinha”. Porque eu não perdi uma estação, eu perdi a mim mesma e agora me sinto como um prédio que foi demolido e está sendo reconstruído, tijolo a tijolo novamente. E esse processo é muito difícil, mas acho também a experiência mais bonita que uma pessoa possa vivenciar. Toda reforma, é para fazer melhoras e, algumas coisas, por não poderem ser recuperadas, terão de ser substituídas. E a gente se apega demais a tudo. Pois estou tão disposta às reformas, mesmo que isso inclua marretadas no meu coração logo pela manhã, bem cedo. (…)"
Mudança de estação - Marla de Queiroz (via pequenos-retalhos)
"Como é que fica o mundo quando destranco minha bolha? Sofrer é de uma arrogância egocêntrica sem limites. Tenho medo de dobrar a esquina de casa. Tenho medo de fazer aniversários. Tenho medo de ser mulher. Tenho medo que me magoem. Tenho medo de estarem rindo do quanto eu sou feliz quando alguém me abraça e eu me largo um pouco. Minha cabeça pesa quilos demais pro meu pescoço."
Tati Bernardi
"Eles se amam. Todo mundo sabe mas ninguém acredita. Não conseguem ficar juntos. Simples. Complexo. Quase impossivel. Ele continua vivendo sua vidinha idealizada e ela continua idealizando sua vidinha. Alguns dizem que isso jamais daria certo. Outros dizem que foram feitos um para o outro. Eles preferem não dizer nada. Preferem meias palavras e milhares de coisas não ditas. Ela quer atitudes, ele quer ela. Todas as noites ela pensa nele, e todas as manhãs ele pensa nela. E assim vão vivendo até quando a vontade de estar com o outro for maior do que os outros. Enquanto o mundo vive lá fora, dentro de cada um tem um pedaço do outro. E mesmo sorrindo por ai, cada um sabe a falta que o outro faz. Nunca mais se viram, nunca mais se tocaram e nunca mais serão os mesmos. É fácil porque os dias passam rápidos demais, é dificil porque o sentimento fica, vai ficando e permanece dentro deles. E todos os dias eles se perguntam o que fazer. E imaginam os abraços, as noites com dores nas costas esquecidas pelo primeiro sorriso do outro. E que no momento certo se reencontrem e que nada, nada seja por acaso."
Tati Bernardi
Silêncio

Permita-me desfalecer enquanto disserto sobre coragens que não tenho. Deixe-me ir quando não houver mais disposição para ficar. Aceite minhas falhas que hoje me definem e me limitam, mas diga o que for preciso pra me corrigir. Deixe-me chorar pela incompletude desses dias que não passam, mesmo que seja bobagem, mesmo que minha solidão seja infundada e incompreensível. O telefone não toca e se você não conhece o desespero do silêncio, apenas aceite.

Eu ando sorrindo mentiras por aí. Fazendo novos eus, como se só houvesse possibilidade de ser verdade ao lado de alguém. É coisa de gente que se ilude, eu sei, gente que espera o aval de outras pessoas para ser feliz. Mas é que me dá um aperto, uma angústia. Você sabe do que eu estou falando, aquele sentimento que a gente tem quando todo dia é segunda-feira. Eu espalhei muito sorriso à toa, pra ver se um deles prendia alguém no canto dos lábios. Não funcionou. Mas ainda tenho alguns guardados, chorosos, quase desistentes, quase sem motivo, esperando valer à pena escapar pelos olhos.

Perdoe-me a indelicadeza, a maneira bronca no convívio humano. Falta-me a consciência de amar. Sobra-me o medo de ser mal entendida. Tenho limitações bobas que não se explicam com definições certas, palavras existentes. Tem um dicionário inteiro de termos ainda não criados para falar sobre mim. Não sei o que, não sei o motivo, não sei como. Não explico, nem me importo. Apenas sou. E isso tem que bastar.

Você me pergunta se eu não tenho coração. Eu tenho. Tenho um coração vazio de ódio ou amor. Se você não consegue ouvi-lo é porque não faz ele bater. Me provoque, me ofenda, brigue comigo, mas não me deixe presa no comum. Não permita que o tédio silencie meu coração.

Verônica H.


"Confesso que ando muito cansado, sabe? Mas um cansaço diferente. Um cansaço de não querer mais reclamar, de não querer pedir, de não fazer nada, de deixar as coisas acontecerem."
Caio Fernando Abreu (via vanroses)

(Source: izabelac, via vanroses)